domingo, 15 de agosto de 2010

Mostra Clássicos Africanos Restaurados


    
O Cine Humberto Mauro apresenta gratuitamente, de 16 a 24 de agosto, a mostra Clássicos Africanos Restaurados.

No início do processo de independência da maioria dos países africanos, o cinema teve importante papel e atuou como peça-chave no estímulo à formação, conscientização e, principalmente, à marcha rumo à liberdade de diversos povos oprimidos. A mostra procura oferecer um painel abrangente desse cinema, exibindo sete curtas e longas metragens de diversos períodos (de 1957 a 1997) e diversos países, como o Mali, Madagascar, Senegal e Nigéria.
Os filmes abordam temáticas relacionadas à África e sua diáspora, como “O Sol” (1969), “Bako, a Outra Margem” (1978), “Safrana, ou o Direito à Palavra” (1978), “Fad, Jal” (1979), “Jom ou a História de um Povo” (1981), “Os Combatentes Africanos da Grande Guerra” (1983), “Tabataba” (1987), “Finzan” (1989) e “Taafe Fanga, Poder de Saia” (1997).

Veja aqui a programação da Mostra Clássicos Africanos Restaurados:

Entrada franca com retirada de ingressos meia hora antes da sessão
Balcão de Informações do Palácio das Artes: 3236-7400


CURTAS 

“África sobre o Sena” (Afrique Sur Seine), de Mamadou Sarr e Paulin Vieyra, 1957, 21 min
A África está na África sobre as margens do Sena ou no Quartier Latin? Interrogações "meio-amargas" de uma geração de artistas e estudantes a procura de sua civilização, sua cultura e seu futuro.

“E Não Havia Mais Neve...“ (Et la Neige n'etait plus...), de Ababacar Samb Makharam, 1965, 22 min
Um jovem bolseiro senegalês regressa da França. O que ele aprendeu? O que ele esqueceu? Que caminho ele irá escolher para o contato com as novas realidades africanas? Os problemas que se colocam na juventude africana expostos com franqueza, coragem e humor.

“O Regresso de um Aventureiro” (Le Retour d'un Aventurier), 1966, 34 min
De volta de uma viagem aos Estados Unidos, um jovem nigeriano oferece aos amigos de sua aldeia equipamentos de cowboys. A gangue vai perturbar a vida da aldeia e vai transformá-la numa cidade do velho oeste americano.

 “Os Cowboys São Negros” (Les Cow-Boys Sont Noirs), de Serge-Henri Moati, 1966, 15 min
Este filme conta a historia da gravação deste filme de ação e de amor e mostra como é tênue a fronteira entre a realidade e a ficção, o cinema e a vida.

“Carta Camponesa” (Lettres Paysannes), de Mansour Sora Wade e Safi Faye, 1973, 21 min
Ngor e Coumba moram num vilarejo árido no Senegal. Há dois anos Ngor deseja esposar Coumba, mas, uma vez mais, a colheita anual foi ruim: as chuvas irregulares não foram favoráveis para que a colheita do amendoim, única cultura herdada da colonização, proporcionasse ganho suficiente para o casamento.

“Paris é Bonita” (Paris c'est joli), de Inoussa Ousseini, 1974, 24 min
Um jovem africano chega à França clandestinamente. Em 24 horas ele será enganado e destituído de seus poucos bens. Mesmo assim, após uma noite na capital francesa e apesar de toda sua família ter ficado na África, ele envia uma carta em que escreve "Paris é bonita".

“Os Príncipes Negros de Saint-Germain-de-Près” (Les Princes Noirs de Saint
Germain de Près), de Ben Diogaye Beye, 1975, 14 min
Nas esplanadas de Saint-Germain-de-Près, as jovens brancas que procuram exotismo são as preferidas de efebos elegantes e pretensiosos. A imaginação deles nunca é pouca para entreter e convencer as suas crédulas conquistas. Momentaneamente sem dinheiro, eles não serão ao menos "príncipes" vindos de lendários reinados?


LONGAS

“O Sol” (O Soleil), de Med Hondo, 1969, 102 min
Um nativo da Mauritânia ficou encantado quando foi escolhido para trabalhar em Paris. Na esperança de obter uma vida melhor, ele ansiosamente prepara a partida de sua terra natal.

“Bako, a Outra Margem” (Bako, L'autre Rive), de Jacques Champreux, 1978, 109 min
A lenta imersão na miséria, o desprezo e, por vezes, a morte por que passam milhares de homens deslumbrados pela miragem de "Bako" (palavra bambara que significa "a outra margem"), utilizada pelos imigrantes nordestinos do Mali para designar a França.

“Safrana, ou o Direito à Palavra” (Safrana, ou le Droi à la Parole), de Sidney
Sokhona, 1978, 121 min
Quatro trabalhadores imigrantes africanos decidem abandonar Paris para frequentar estágios de agricultura numa região rural francesa e depois tentar uma reinserção no seu país de origem.

“Fad, Jal” (Safi Faye), 1979, 113 min
Fad, Jal é a crônica de um povoado Sérère da região de cultivo do amendoim no Senegal. Os aldeões testemunham, através da fala dos anciãos, a história do povoado transmitida pela tradição oral e sobre as dificuldades que eles têm para explorar sua terra e para se alimentarem de sua produção.

“Jom ou a História de um Povo” (Jom ou l'Histoire d'un Peuple), de Ababacar Samb
Makharam, 1981, 76 min
Jom é a origem de todas as virtudes, a dignidade, a coragem, uma certa beleza do gesto, a fidelidade do compromisso, o respeito pelo outro e por si mesmo. Klaly, o feiticeiro africano, encarnação da memória africana, atravessa as épocas para ser testemunha da resistência à opressão: a que opõe o colonizador ao povo escravizado, o senhor ao criado, o patrão aos operários.

“Os Combatentes Africanos da Grande Guerra” (Les Combattants Africains de la
Grande Guerre), de Laurent Dussaux, 1983, 82 min
Constituído de documentários rodados no Senegal e em Burkina Faso e por documentos de arquivos, o filme propõe um novo olhar da história, por meio de testemunhos de ex-combatentes sobreviventes e registros históricos e raros, como o embarque das tropas em Dakar, a travessia até a França e a vida nas trincheiras.

“Tabataba” de Raymond Rajaonarivelo, 1987, 79 min
Em 1947, os habitantes da aldeia de Tanala, na costa leste de Madagascar, participam da grande revolta contra a colonização francesa. A história da insurreição e da sua repressão é vivida através dos olhos de Solo, jovem rapaz para quem a vida quotidiana e a infância nunca serão abaladas.

“Finzan” de Mali Cheick Oumar Sissoko, 1989, 105 min
Finzan confronta as tradições patriarcais do Mali, incluindo a controversa questão da circuncisão feminina. Nanyuma, viúva recente, se sente livre do tratamento cruel do falecido marido e sai com sua sobrinha Fili, mas é eventualmente forçada a regressar. A única chance de reclamar a própria liberdade será abandonando a comunidade.

“Taafe Fanga, Poder de Saia” (Taafe Fanga, Pouvoir de Pagne), de Adama Drabo,
1997, 103 min
O ilustre feiticeiro africano Sidiki Diabaté nos convida para a falésia de Bandiagara, ao passado do povo Dogon. L'Albarga, a máscara dos espíritos da falésia, símbolo de poder, cai nas mãos de Yayème, uma adolescente, e provoca uma desordem em Yanda. As mulheres trocam a saia pelas calças dos homens. Maldição? Castigo Divino? O poder das mulheres se instala. A nova ordem resistirá a todas as contradições?

2 comentários:

Antonio Ricardo Soriano disse...

Olá Fernanda
Parabéns pelo blog.
Indico para exibição, o filme "O Segredo dos seus Olhos". Um dos melhores filmes que já assisti em minha vida. Perfeito!
Um grande abraço.

Igor disse...

Ei Fernanda, gostei muito do seu blog, parabens . Espero notícias.